Uma tribo cheia de cor e história

[Cultura]

Maiume Ignacio – Comunidade Jornalística

(Foto: Reprodução).

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Grafiteiros são os praticantes do movimento grafite. Tal movimento tem como gênese pinturas rupestres encontradas pelo Império Romano. Este tipo de arte possui vários estilos, que descendem principalmente do movimento contracultural, onde os muros de Paris foram alvos de grafiteiros. Nos anos 70 surge com mais força, na cidade de Novo Iorque, através de jovens do HIP HOP, que desejavam expressar suas ideias oprimidas. No Brasil o grafite destacou-se na mesma época, com um estilo próprio capaz de tornar o grafite brasileiro reconhecido e considerado um dos melhores do mundo.

O ato da pichação pode ser facilmente associado ao grafite. No entanto existem grandes diferenças: Enquanto o pichar tem como intuito de chamar a atenção, desenhando símbolos e palavras aleatórias sem ter em vista a estética e o local onde se realiza o desenho, o grafite é considerado uma arte, mesmo não sendo aceita por todos. Tem como intenção a expressão de ideias sempre levando em conta á estética com cores chamativas desenhos organizados e assinatura do grafiteiro. Grafites são feitos em muros de propriedades autorizadas a receber a pintura, em paredes e quadros. Já a pichação é feita em lugares ilegais como fachadas de lojas, topos de prédios e monumentos, são executadas muitas vezes, por integrantes de gangues, querendo marcar território.

Como tribo urbana o grafite pode ser visto de duas formas. De um lado existem os grafiteiros que seguem juntos usando a mesma roupa, ouvindo as mesmas músicas e mantendo mesmo estilo de ideias e formas de expressão, fazendo parte da mesma tribo e compartilhando dos mesmos interesses. Em contraponto, com o passar do tempo, cada membro da tribo começa a saber o que é e o que quer, amadurecendo e partindo para carreira solo. Dessa forma moldam-se os grafiteiros de tribos, os profissionais e os que apenas exercitam o grafite como hobbie.

PRINCIPAIS GÍRIAS

Grafiteiro/writter: é artista que pinta.
Bite: imitar o estilo de outro grafiteiro.
Crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúnem para pintar juntos.
Tag: é assinatura de grafiteiro.
Toy: é o grafiteiro iniciante.
Spot: lugar onde é praticada a arte do grafite

INFLUÊNCIAS E TENDÊNCIAS

Por ser uma tribo urbana os grafiteiros contam com inúmeras influências de outras artes como a música, além de trazer inspiração para seguimentos como o da moda.

MÚSICA

Na música a influência é exercida pelo HIP HOP, movimento originário das periferias das grandes cidades. O HIP HOP possui raízes em vários gêneros musicais, entre eles o jazz, o blues e o soul. Tanto o HIP HOP quanto o grafite buscam educar, direcionar e fazer pensar em temas como arte e política.

O termo HIP HOP significa mexer os quadris e iniciou por volta dos anos 70, na parte central de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas em Nova Iorque. Africa Bamtaataa é considerado o criador oficial do movimento e estabeleceu quatro pilares para o mesmo: o rap, o DJing, o break dance e o grafiti.

A influência entre o HIP HOP e os grafiteiros surge quando novas formas de pintura começam a ser realizadas em áreas onde os pilares estabelecidos também estavam presentes. Dessa forma tornou-se possível a união dos grafiteiros com quem praticava os outros elementos.

MODA

A primeira aparição de um grafite em uma coleção ocorreu na década de 80, quando a estilista Vivienne Westwood transformou em estampas os desenhos gráficos do artista Keith Haring. Naquela época, em Nova York, a arte de rua vivia uma fusão com a cultura pop e a moda. Alguns anos depois, em 2011, também numa mostra para outono/inverno, os designers britânicos Agi & Sam (em 2011) marcaram sua coleção com a arte de Jean Michel Basquiat.

Chamado de cultura “marginal” e “das galerias”, o grafite foi um movimento bastante influenciado pela moda punk da década de 70, onde as pessoas escreviam em suas roupas. A princípio conhecido pela sensação de arte à mão livre e baseado no tipo de letra, ganhou pluralidade por volta dos anos 2000, quando a difusão do estêncil possibilitou a facilidade – e possibilidade – da duplicação de imagens icônicas.

O APELO ESTÉTICO

Contextualizado pelo chamamento político de jovens à margem da sociedade, o grafite foi associado por muitos anos ao protesto e ao vandalismo. Nas décadas de 40 e 50, a arte era considerada pelo artista francês Jean Dubuffet, como crua e indomada.

Denominando-a de “bruta”, Dubuffet conceituava essa como uma subcultura rebelde e incompatível com a moda. Anos depois – e aproveitando-se da evolução midiática – a crueza deu lugar à intensidade da cultura pop universal. Espontânea, estilizada e autoconsciente, serve como inspiração para estilistas, decoradores e designers pelo trânsito livre entre as ruas e a passarela.

Acessível, tanto pelo preço quanto pela compreensão, o grafite é reputado para “as massas”, mas admirado também pela classe média; hoje, é possível encontrar a referência dessa arte, inclusive, em grifes de luxo, como Moschino e Louis Vuitton.

GRAFITE NAS PASSARELAS

O grafite não se faz presente apenas em roupas e acessórios. Há quem se utiliza dessa técnica como plano de fundo para produções de catálogos, por exemplo. Caso do estilista indiano Manish Arora, que apresentou, em Paris, sua coleção feminina para o outono/inverno de 2012, combinando as silhuetas – inspiradas nos anos 50 – com um enorme mural, criado por grafiteiros durante o evento.

Seja pela diversidade ou pelo contraste de beleza, grafite e moda se conectam de forma puramente estética. É o tipo de singularidade jovial que cativa por sua pegada pop, transcendendo às ruas a leveza firme de uma ideologia.

 

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